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Segurança e Confiança

Arrendar casa em Cabo Verde sem cair em anúncios falsos: o que confirmar antes de pagar

Fotografias bonitas e uma renda simpática não bastam para pagar o que quer que seja. Um guia prático, para quem anuncia e para quem procura, sobre como confirmar o dono, proteger as suas fotos e reconhecer os sinais de alerta antes de entregar dinheiro.

Casal cabo-verdiano à porta de uma casa no Mindelo, com o proprietário a entregar as chaves e o casal a segurar um contrato em papel e um telemóvel.
Casal cabo-verdiano à porta de uma casa no Mindelo, com o proprietário a entregar as chaves e o casal a segurar um contrato em papel e um telemóvel.

Num mercado pequeno como o cabo-verdiano, onde muita gente procura casa à distância, a confiança é metade do negócio. Quem está na diáspora a preparar o regresso, quem se muda da Praia para o Mindelo por motivos de trabalho ou quem chega ao Sal e à Boa Vista para uma temporada muitas vezes decide a partir de um anúncio, de umas fotografias e de uma conversa por mensagem. É precisamente aí que um anúncio falso pode fazer estragos: o interessado paga uma reserva por um imóvel que não é de quem o anuncia, e o verdadeiro dono nem sabe que a sua casa está «à venda» ou «para arrendar» na internet.

O esquema é simples e, por isso, perigoso: alguém reaproveita fotografias e descrições de um anúncio antigo, passa-se pelo proprietário, pede uma entrada ou uma caução adiantada e desaparece. Não há registo confirmado de casos deste tipo em Cabo Verde, mas nada impede que se repita, em especial em Casas e Moradias e em Apartamentos. Prevenir custa pouco; o prejuízo, quando acontece, custa muito.

Primeiro passo: confirmar que o anunciante é o dono

Antes de falar de preços ou datas, perceba com quem está a falar. Peça que o anunciante se identifique e explique a sua ligação ao imóvel: é proprietário, herdeiro, procurador ou intermediário? Quem tem autorização para arrendar não se ofende com a pergunta; quem tem algo a esconder tende a fugir dela.

Há verificações simples que ajudam:

  • peça um documento que ligue a pessoa ao imóvel (caderneta predial, certidão do registo ou, se for mandatário, a respetiva procuração);
  • confirme que o nome do documento coincide com o do anunciante e com o do titular da conta para onde lhe pedem que pague;
  • se o dono diz estar noutra ilha ou no estrangeiro, peça o contacto de alguém de confiança que possa mostrar a casa e fale diretamente com essa pessoa;
  • em bairros ou prédios pequenos, uma conversa com vizinhos ou com o porteiro costuma esclarecer depressa quem mora e quem manda.

Visite sempre, ou peça quem visite por si

Nenhuma fotografia substitui uma visita. Ver o imóvel em pessoa permite perceber se corresponde ao anúncio, se está de facto disponível e se o anunciante tem as chaves e à-vontade para o mostrar. Desconfie de quem arranja sempre desculpas para não haver visita, ou de quem só aceita mostrar a casa depois de receber um pagamento «para garantir».

Se vive longe, por exemplo na diáspora, peça a um familiar ou amigo de confiança que visite o imóvel e lhe envie fotografias e um pequeno vídeo feitos no momento, com algum pormenor identificável do local. Se não tiver ninguém na ilha, uma videochamada em tempo real, com o anunciante a percorrer a casa e a mostrar a rua, é melhor do que nada, embora não dispense a confirmação de quem é o dono.

Sinais de alerta antes de pagar

Alguns indícios, isolados ou em conjunto, justificam que pare e reflita:

  • uma renda muito abaixo do que é habitual para imóveis semelhantes na mesma zona;
  • pressa fora do normal: «há outros interessados», «tem de decidir hoje»;
  • comunicação só por mensagem, sem aceitar chamada nem encontro;
  • pedido de dinheiro por candidatura, reserva ou caução antes de ver a casa e antes de haver contrato;
  • pedido de pagamento para a conta de uma pessoa diferente do alegado proprietário;
  • fotografias que parecem profissionais demais, sem nenhuma imagem do exterior ou da rua, ou que se repetem noutros anúncios com preços e contactos diferentes.

Uma pesquisa rápida pela imagem, copiando uma das fotografias do anúncio para um motor de busca, mostra muitas vezes se a mesma foto já circulou noutro sítio com outro texto.

Contrato escrito e pagamento seguro

O arrendamento urbano em Cabo Verde está regulado no Regime Geral do Arrendamento Urbano (Lei n.º 101/VIII/2016) e no Código Civil. Na prática, o contrato deve identificar as partes, o imóvel, o NIF, o valor da renda em escudos e a data de celebração. Segundo um estudo do Governo de 2020, os contratos escritos são pouco frequentes, o que deixa muita gente desprotegida quando surge um desentendimento. Exigir um contrato escrito, assinado pelas duas partes, é a melhor defesa para ambos.

Quanto ao dinheiro, evite pagar o que quer que seja antes de ver o imóvel e de ter o contrato em mãos. Prefira meios de pagamento que deixem registo e que estejam em nome do proprietário que assina o contrato. Guarde comprovativos, mensagens e cópias de documentos. E tenha atenção às obrigações fiscais que acompanham o contrato, nomeadamente a sua apresentação à entidade fiscal no prazo legal, que protege quem arrenda e quem recebe a renda.

Se é você quem anuncia: proteja a sua casa e as suas fotos

O risco também existe do outro lado. Fotografias de um anúncio antigo, ainda online, podem ser reutilizadas por terceiros para enganar interessados, e o dono só descobre quando alguém bate à porta convencido de que já pagou. Para reduzir esse risco, quem anuncia deve:

  1. apagar ou desativar anúncios antigos quando o imóvel deixa de estar disponível;
  2. fazer, de tempos a tempos, uma pesquisa pelas suas próprias fotografias para ver se aparecem noutros anúncios;
  3. ter um contacto direto e identificável no anúncio, para que quem procura consiga confirmar a sua identidade;
  4. reagir depressa se alguém o contactar por causa de um anúncio que não é seu: avisar a plataforma onde foi publicado, o interessado enganado e, se for caso disso, as autoridades.

Em resumo

Arrendar com segurança em Cabo Verde não exige nada de complicado: confirmar quem é o dono, ver a casa, desconfiar de preços e pressas fora do normal, fazer contrato escrito e só então falar de dinheiro. Quem anuncia deve proteger as suas fotografias e manter os anúncios atualizados. Um minuto a mais de verificação evita semanas de dor de cabeça e um prejuízo que, num mercado pequeno, raramente se recupera.

Está à procura de casa ou quer anunciar o seu imóvel? Veja os anúncios de «Casas e Terrenos» na CVX ou publique o seu anúncio. A CVX é a plataforma que liga quem anuncia a quem procura, não é a vendedora nem a arrendatária dos imóveis.

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Escrito por

Equipa Editorial CVX

Artigos sobre economia, mercado e vida em Cabo Verde, escritos para quem compra, vende e procura oportunidades na CVX.

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