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Sustentabilidade

Sustentabilidade em Cabo Verde: todas as ilhas, uma só meta

Cada artigo usado que muda de mãos conta para a ilha de quem participa, e todas as ilhas contam para a mesma meta mensal. Como funciona o Movimento Ecológico Cabo Verde.

Telemóvel com a página de sustentabilidade da CVX junto a um grupo que troca artigos usados numa rua de Cabo Verde, perto do mar

Num arquipélago, a sustentabilidade raramente é uma ideia abstrata. Sente-se no preço do que chega de barco, no espaço que as ilhas têm para o lixo, na energia que pesa no orçamento das famílias. Por isso, falar de sustentabilidade em Cabo Verde é, muitas vezes, falar de bom senso: aproveitar o que já existe antes de comprar de novo, e não deitar fora o que ainda serve.

A CVX quis transformar esse bom senso em algo que se vê. A plataforma estima o efeito ambiental de cada artigo usado que muda de mãos e junta esses números num movimento com nome próprio, o Movimento Ecológico Cabo Verde. A lógica é fácil de explicar: cada venda conta para a ilha de quem participa, e todas as ilhas contam para uma meta comum, renovada todos os meses.

Bloco da meta nacional do Movimento Ecológico Cabo Verde na página Impacto em Cabo Verde, com a bandeira e a meta do mês

Uma meta mensal para o país inteiro

Na página Impacto em Cabo Verde, o país aparece ilha a ilha. A meta deste arranque é de 10.000 quilos de CO₂ equivalente evitados por mês, somando o contributo de todas as ilhas, e vai subir gradualmente. A página abre sempre no mês em curso, com a percentagem da meta já alcançada, o número de pessoas a contribuir e o número de artigos que ganharam uma nova vida.

A referência à bandeira não está lá por enfeite. As estrelas são as nossas ilhas, e o movimento usa essa imagem para lembrar que nenhuma chega à meta sozinha. No mapa, cada ilha ganha um verde mais forte à medida que acumula impacto, e uma classificação mostra todas lado a lado, com o CO₂e evitado, os artigos e as pessoas de cada uma. Há também a evolução mês a mês e a possibilidade de comparar duas ilhas.

Os números do arranque são modestos, e a página mostra-os tal como são. Desde que o sistema começou a contar, os registos somam pouco mais de 260 quilos de CO₂e estimados e 14 produtos reutilizados. É um ponto de partida pequeno para uma meta grande, e é precisamente essa distância que dá sentido ao movimento. Como a própria página diz, a primeira venda acende a primeira ilha.

O que conta para a meta

Para que uma meta signifique alguma coisa, as regras têm de ser claras. Só contam artigos efetivamente vendidos em categorias elegíveis. Cada tipo de produto parte de um valor de referência próprio, porque um telemóvel, um sofá e um frigorífico não pesam o mesmo, e esse valor é ajustado ao estado do artigo, à faixa de preço e à ilha. O resultado soma-se ao total da ilha e ao de Cabo Verde.

A CVX faz questão de dizer também o que estes números não são. São estimativas do impacto da reutilização, não créditos de carbono certificados nem compensação oficial de emissões. A página pública mostra apenas somas e nunca dados de uma pessoa. E identifica a parceria institucional com o Ministério do Ambiente de Cabo Verde, um apoio que reforça a confiança e a transparência dos critérios usados.

Classificação das ilhas, evolução mês a mês e parceria institucional na página Impacto em Cabo Verde

A contribuição de cada um

Ao lado dos totais do país, cada pessoa tem o seu próprio percurso. Na área pessoal de sustentabilidade, quem vende ou compra usado acompanha o CO₂e estimado das suas trocas, os produtos reutilizados e a evolução ao longo do ano, define metas e vai desbloqueando emblemas, como o da primeira venda. Pode ainda criar certificados digitais e peças para partilhar o seu impacto estimado, sempre com a indicação de que se trata de uma estimativa.

É uma forma de tornar visível algo que, de outro modo, passaria despercebido. Vender o berço que já não se usa, o portátil que ficou parado depois de uma mudança de emprego ou a bicicleta que os filhos deixaram de usar parece um gesto pequeno. Somado ao de outras pessoas, na mesma ilha e no resto do país, deixa de o ser. E quando o artigo fica na mesma ilha, poupa-se também o transporte entre ilhas.

Para lá da segunda mão

A reutilização é a parte mais fácil de medir, mas não é a única forma de participar. Reparar em vez de substituir prolonga a vida de um eletrodoméstico tanto como vendê-lo a quem o vai usar. Na CVX Serviços encontram-se técnicos e outros profissionais que fazem esse trabalho, e pedir propostas não tem custo para quem procura.

Procurar primeiro no usado, quando faz sentido, é outra forma. Um telemóvel recondicionado, um móvel em bom estado ou o material que sobrou de uma obra podem servir tão bem como os novos, e estão muitas vezes na mesma ilha, a poucos minutos de casa. E há o simples cuidado: limpar, guardar bem e consertar a tempo também conta, mesmo que nenhum painel o registe.

Para quem tem um negócio, a lógica é a mesma. Uma loja que vende artigos recondicionados, uma oficina que repara em vez de trocar peças sem necessidade ou um profissional que aproveita materiais estão a fazer economia circular, muitas vezes sem lhe dar esse nome. A CVX dá-lhes uma montra onde esse trabalho pode ser encontrado.

Um movimento que se faz com pouco

O Movimento Ecológico Cabo Verde não pede grandes gestos. Pede que o que está parado volte a circular, que o que se avaria seja reparado quando compensa e que quem compra olhe primeiro para o que já existe. A meta mensal serve de bússola, e os números, pequenos ou grandes, ficam à vista de todos, ilha a ilha.

Num país onde grande parte do que se consome chega de fora, cada objeto que continua a ser usado é um pouco menos de carga num contentor e um pouco mais de valor a ficar nas ilhas. É assim que se constrói a sustentabilidade em Cabo Verde: com uma meta do país inteiro e um primeiro passo que pode ser dado hoje, a partir de casa.

Põe a tua ilha a subir. Vê o impacto de cada ilha e quanto falta para a meta do mês. Ver o impacto em Cabo Verde

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Escrito por

Equipa Editorial CVX

Artigos sobre economia, mercado e vida em Cabo Verde, escritos para quem compra, vende e procura oportunidades na CVX.

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